quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Quem


Quem é aquele que de longe vem

Que te olha com os olhos que você não vê

Que te assusta sem fazer nada

E de nada fazer apavora-te

Observa-te e desaparece

E deixa-te sozinho em teu quarto

No desalentado silêncio da noite

Volta apenas para tornar a observar-te

Em seus sonhos

Naqueles em que se ainda está acordado

Você o ouve, entende suas ofensas

O odeia como odeia o demônio,

Mas como o demônio, ele sempre estará lá

Leva-te ao sonho, quase a força

Joga-te na escura frincha de teus pesadelos

Nos piores,

Naqueles se você já havia visto

Quando acordado

E tentara esconder-los nos sonhos

Quem é aquele que lhe ofende com verdades

E rasga tuas mentiras

Deixando-o nu, frágil

Como o covarde que és

Que desmente tuas glórias

E esfrega-lhe os teus fracassos

Não no rosto, no coração

Que não teme tuas ameaças

E retruca-te com um espelho

Que reflete além das ilusões

As quais você desejara ser

Quem é aquele que para,

Como assombrado,

Depois te devora o brio, o brilho

Quem é aquele que te mais julga

Quem é aquele que mais te desnuda

Quem é aquele que mais te pune

Quem é aquele que mais te defende

Que mais chora por ti,

Que mais mente de ti

Que mais te ama

Que mais te odeia

E que fadado a ser o único que realmente sabe

Aquilo que você mais tenta esquecer,

Redesenhar e reescrever

Aquele que é seu acusador, júri, juiz e punidor

Será ninguém menos que...

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