
Tudo começa branco
Infinito e pretensioso
Opções ilimitadas
De um limite generoso
Logo marcamos os primeiros rabiscos
E sentimos a vida rascunhar
Um quadrado, um circulo
O lápis não para de se levar
Fazemos obras, textos, e marcas
Que com o tempo ficarão para trás
E logo deixaremos falhas e lascas
Mas mesmo com defeitos, o lápis seguirá
Tingimos o branco
De preto, a arte da vida
Deixamos o vazio em um tanto
A memória sem ser decorrida
De passados rasgados
Até um suave vindouro
Contornamos o que nos és caro
E rajamos nosso próprio desdouro
E assim seguimos
Vivendo a desenhar
Com o lápis preto na folha
Sem borracha alguma para apagar
