
Quando a noite já se vai ao longe
Estou sozinho, sempre sozinho
Em meus pensamentos eu me afundo
Em um amesquinho, meu amesquinho
Minha contrição me persegue
Me aprisiona, me desonra
Dado aos meus vis pecados
Suicídios, meus martírios
Vejo que você me olha e me atravessa
Sem amor, sem perdão
Meu espelho é meu carrasco
Sem fuga, sem perdão
Me sinto pequeno
Perto dos grandes
Mas me engrandeço e menosprezo
Os meus próprios alcances
Tudo ao meu redor
É sempre conquistável
Mas meu olhar
Mantêm-se no imensurável
Rodo em círculos
Atrás de um novo caminho
De tanto andar para trás
Procuro meu definho
Acho difícil dizer-lhe isso
Como acho difícil aceitar isso
Mas é tudo o que tenho
Meu mundo triste
