quarta-feira, 13 de julho de 2011

A Noite é Longa





É encorajador
Pensar, libertar... Desbravar
Ir fundo e mais fundo
Dentro da nossa própria imaginação
Dentro de nosso próprio foco
No âmago da existência
No centro de nossa própria racionalidade

É engraçado
Quanto mais olhamos para dentro
Para o fundo
De nossas mentes
Mais ainda queremos entrar
Mais ainda queremos desafiar
Como uma caverna escura a ser explorada
Mas...
Não percebemos que quanto mais é iluminado o fundo
Pela tocha de nossa coragem ou estupidez infantil
Mais deixamos caminhos percorridos sobre as trevas... Denovo

É assustador
Quanto mais achamos que achamos
Quanto mais entendemos o que entendemos
Quanto mais clara fica a lógica
E lógica ficam as idéias
E as idéias ficam claras
Mais derrubamos mitos e história para dormir
Criadas para quem tem medo do bicho-papão... Ou do demônio
Para aqueles que sonham com o Natal... Ou com o Céu
Que aguardam a banda entrar... Ou as setes cornetas Ele tocar
Quanto mais entendemos, ligamos e explicamos
Menos acreditamos e nos prendemos
Mais livre ficamos
Mais da vida tomamos
E mais sozinho estamos

Então queremos e tornamos a acreditar
Iludir ou iluminar
Voltamos para a zona de conforto sentimental
Para então fecharmos os olhos seguros
Protegidos pelo que a pouco não acreditávamos
Encobertos pelo véu vil da ilusão
Não de existir ou não... De acreditar ou não

É encorajador
Saber que o raciocínio é torpe
Que a mentira é maviosa
Que a dor é psicológica... Ou psicóloga
E que sentimos medo
Não da morte, e sim de viver

sábado, 21 de maio de 2011

Requiem



Réquiem

Encara-te, ainda é tempo
Vinga-te, ainda é hora
Esqueça-me, já foi o tempo
Morra, já demora

Não fuja, Viva isso
Não corra do que te persegue
Não engane aquele que você criou
Permanece naquele que você almejou

A ruína lhe espera
Por mais caro que esta seja
O sonho já não é mais
Um refugio sagaz

Não lembre-me que dói
Sua voz me romói
Não busque-me no vale
Entre as montanhas que eu ergui
Deixe-me no cale
Para no rio seguir

O adeus, peço a Deus, que seja antes
Vou-me antes que me levem
Deixo-te antes que me entreguem
Choro antes que me neguem
Morro antes que me enterrem

domingo, 24 de abril de 2011

Doces Sonhos


Doces sonhos
Que me iludem e me fazem gritar
Doces sonhos
Quem me mantém vivo e a sonhar

Que por obséquio me fazem feliz
E por capricho me jogam no abismo

Aqueles que me transformam no herói
Enquanto sou um vilão
Quando me mostram prazer
Com toda a repulsão

Doces sonhos
Que me fazem sentir amado
Doces sonhos
Que me mantém acordado

Que por vingança voltam de dia
E como uma lança me acedia

Aqueles que rogam por mais tempo
Enquanto o esgotam
Que infunde o espaço
Deixando-o frívolo

Doces sonhos
Que não os tenho por alguém
Doces sonhos
Que me transformam em ninguém

quarta-feira, 16 de março de 2011

Apenas Rabiscos


Tudo começa branco

Infinito e pretensioso

Opções ilimitadas

De um limite generoso


Logo marcamos os primeiros rabiscos

E sentimos a vida rascunhar

Um quadrado, um circulo

O lápis não para de se levar


Fazemos obras, textos, e marcas

Que com o tempo ficarão para trás

E logo deixaremos falhas e lascas

Mas mesmo com defeitos, o lápis seguirá


Tingimos o branco

De preto, a arte da vida

Deixamos o vazio em um tanto

A memória sem ser decorrida


De passados rasgados

Até um suave vindouro

Contornamos o que nos és caro

E rajamos nosso próprio desdouro


E assim seguimos

Vivendo a desenhar

Com o lápis preto na folha

Sem borracha alguma para apagar

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Mad World


Quando a noite já se vai ao longe

Estou sozinho, sempre sozinho

Em meus pensamentos eu me afundo

Em um amesquinho, meu amesquinho


Minha contrição me persegue

Me aprisiona, me desonra

Dado aos meus vis pecados

Suicídios, meus martírios


Vejo que você me olha e me atravessa

Sem amor, sem perdão

Meu espelho é meu carrasco

Sem fuga, sem perdão


Me sinto pequeno

Perto dos grandes

Mas me engrandeço e menosprezo

Os meus próprios alcances

Tudo ao meu redor

É sempre conquistável

Mas meu olhar

Mantêm-se no imensurável

Rodo em círculos

Atrás de um novo caminho

De tanto andar para trás

Procuro meu definho


Acho difícil dizer-lhe isso

Como acho difícil aceitar isso

Mas é tudo o que tenho

Meu mundo triste

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Segunda Chance



Às vezes, até nós temos uma segunda chance

Mas temos que merecê-la

Ou, até, conquistá-la

Seja com sangue ou com suor

Seja com ódio ou com amor


Desistir não é um pecado

Pecado é achar que essa foi sua última decisão

As chances existem

Mas nem sempre ao alcance de sua mão


Aproveite agora

Ou terá de cair, sofrer e levantar de novo

O que não é difícil, porém obrigatório

Cair e levantar,

Já sofrer é uma escolha


“Espero que você leve uma vida da qual se orgulhe. Ou que tenha força para começar tudo de novo”